Palavra

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Não poderá me dizer. Infelizmente, não poderá me dizer nada.

Quis ansiar por uma palavra. Apenas isso teria me bastado, e poderia ter sido… Não era para ser assim, diriam. Mas eram. As coisas são o que elas são porque só poderiam – dentre a grande complexidade das variáveis dos acontecimentos em todo o cosmo – só poderiam ter sido assim. Se, em todas as possibilidades possíveis, esta foi a que aconteceu, seria fatalista pensar que é a única que esse momento nos poderia dar? Não, não seria. Tivemos todas as escolhas possíveis, cerceadas por todas as outras escolhas possíveis que só permitiriam que se tomasse essa única escolha. Somos fracos perante o todo. Continuar lendo

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Holocausto

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Morro. A auto-imagem de um deus se glorifica nos suspiros finais, deixando claro a todos que não podem ser mais do que são. Pobres são aqueles que não podem agir de outra forma. Está além da própria natureza o direito a mudar. Deuses não mudam, mas jamais serão senão eles mesmos. Homens não mudam, mas não conseguem ser aquilo que porventura deveriam ser. O inexorável fluído do tempo, serpenteando em todas as direções, age sobre o espaço e me sufoca. Morro dizendo palavras doces, mas engasgado no fel amargo de minha boca. E para quê? Nada. Eu não os salvei, pois deles dependem a própria vocação. Eu não os ensinei, pois se algo lhes mostrei foi “podeis matar teu próprio deus”. Continuar lendo

Mal de escritor

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Há momentos na minha vida que me inspiram, dois em especial. A Solidão e a Companhia. Assim, escritos com letra maiúscula.

Acredito que, quase sempre, estamos meio sozinhos, meio acompanhados. Seja pelos outros ou por nossos pensamentos que vieram dos outros. Poder ser uma conversa, um livro, um filme, uma música, uma lembrança. Sentimos essas presenças ali, indistintas, quase naturalizadas em nossas vidas. Nossas vidas, feitas dessas gradações entre dois extremos, quaisquer que sejam eles. Entre o quente e o frio, o amor e o ódio, e todos os clichês que possamos pensar, são esses meios caminhos que nos tornam ordinários, averiguáveis e rotineiros. Se considerarmos que a Inspiração – assim, também dita com letra maiúscula – é um atributo quase divino e sobrenatural, então é preciso que ela seja extraordinária. E para ser extraordinária, ela tem que fugir ao comum do nosso espectro diário. Continuar lendo

Meus deveres

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Em fuga de Atlântida, 26 de novembro de alguma Era de minhas lembranças.

Não pense que eu te abandonei. Vejo de longe as torres consumidas pelo fogo e as cinzas devoradas pelo mar. Meu pesar está contigo, e tens sempre meus pensamentos e sentimentos. Confio que sobreviverás. Eu fugi com os demais e estou aqui, no barco navegando rumo ao comum. E as mesquinhezas humanas que destruíram nossa casa fogem comigo. Não posso evitar de só ver decadência e banalidades. E não sei como conseguirei sobreviver com elas. Minha força está sendo minada aos poucos e não encontro mais resistências. Escolheste esconder-te dentro das chamas. Creia-me, estás ainda melhor do que eu. Estou sendo cada vez mais limitado pela fraqueza deles. Nossa Era, a dos Grandes Reis, se acabou há muito. Impera agora o domínio que se governa pelo medo e pela segurança. E tolhem-me a cada momento, cortam-me a carne, não me permitem crescer e ser quem sou. E eu estou cansado em minha luta e talvez… Não queira mais resistir. Continuar lendo

Ecos

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Foto tirada na 408/409 Norte - DF

Foto tirada na 408/409 Norte – DF

Ecos do passado ainda me sussurram.

Atingido por um fragmento, um mero nome veio à tona e despertou uma torrente esquecida e selada. Do fundo de minhas recordações, um grito se fez ouvir. Ressoou por todo o caminho e perdeu força nas minhas barreiras. E de toda a apoteose em que nasceu apenas uma palidez chegou até mim. Foi o bastante.

Convulsionado por lembranças que se libertaram aos brados indômitos de um clamor tão profundo, não pude resistir. Caí. E me perdi outra vez no que não existiu. Continuar lendo

Bambolês

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Foto tirada na Feira da Torre - DF

Foto tirada na Feira da Torre – DF

Neste último domingo, dia 07 de setembro de 2014, fui passear na Feira da Torre com a Luísa e o Xande. Fomos comprar coisas legais para a casa deles. Aproveitei e levei a máquina fotográfica, caso aparecesse alguma foto interessante.

Em uma das lojas, achamos a mesa que a Luísa queria para a estação de trabalho dela. No mesmo lugar, entregamos o projeto de uma estante e negociamos o preço dos dois móveis. Enquanto a Luísa e o Xande discutiam os detalhes, chamou minha atenção uma cena de três meninas – cada uma com no máximo cinco anos – brincando com alguns bambolês. Elas eram fofíssimas e lindas. As três eram negras, com o cabelo crespo longo e solto, sendo que uma usava tiara e um vestido de princesa. Brincavam de rodar os bambolês no braço – embora a da tiara não conseguisse fazê-lo e culpasse o barulho que não a deixava se concentrar – e conversavam aquelas conversas que apenas crianças entendem. Em volta delas, havia sobre a grama muitos outros bambolês, colocados para exposição e venda, eu acho. Fiquei alguns minutos apreciando o momento, já com a máquina na mão. Continuar lendo

Sobre Rocky Horror Picture Show

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– Let`s do the time warp again!

Foi no quinto episódio da segunda temporada de Glee – não me condenem – que conheci “Rocky Horror Picture Show”. Em seguida, eu e meus amigos fomos atrás do filme e o vimos várias e várias vezes. Tenho quase certeza que é o segundo filme que mais vi na minha vida (perde apenas para Anjos Rebeldes, claro).

“Rocky Horror Picture Show” é uma comédia musical de terror, baseada na peça de mesmo nome. A peça estreou em 1973 e o filme, em 1975. Conta a história de um casal de noivos absolutamente normal que, por uma sucessão de eventos, passará a noite mais insana de suas vidas.

“Rocky Horror” me conquistou em muitos sentidos. Primeiro, por brincar com clichês ao contar uma história absurda, porém coerente e com sentido dentro daquele universo proposto. Considero que subverter um clichê é um dos desafios mais complexos às pessoas que escrevem, sejam livros ou roteiros, pois é algo que apenas ficará bom se feito com maestria. Nisso, o roteiro do filme é muito bem sucedido ao unir, entrelaçar e subverter não apenas um, mas diversos clichês das histórias de terror, e com isso transportar o telespectador para aquele cenário. O roteiro aposta também no nonsense e na sexualidade extrapolada em fetichismos quase cômicos para conseguir alcançar a suspensão de descrença, feito que foi cumprido com louvor. Continuar lendo