Tags

, , , ,

Em outra vida, um outro momento. Apenas luzes piscam sobre meus olhos e não consigo discernir o fim do túnel da imensidão de sua passagem. Seria esse o túnel de fato? Percorro um nada constante, sem paredes, teto ou piso. Mas há de ser um túnel, pois há luz em seu final. Há luz em seu final, ou será apenas uma alucinação causada pelo peso opressor do nada?

Vago certo por aí, crente de que chegarei em algum lugar. Qualquer lugar é lugar afinal. Mas o vazio me encara, seus olhos quedam sobre mim de maneira tão… o que quero dizer, apenas, é que eu não consigo suportar mais essa carga de certeza, de que vou chegar lá. Luzes piscam sobre meus olhos, ainda que eles estejam fechados. Não posso fazer nada, senão continuar.

Toco meu corpo e projeto meu desejo, em uma forma incoerente de tentar novamente. Mas a ausência permanece, sinto-a sobre mim, e sua presença é mais aterradora do que o próprio sentir. A ausência cambaleia sobre mim, me fazendo de tolo, com seus paradoxos intermináveis e bobos. Como sentir o que não está lá, como dizer que ela se faz, mais uma vez, presente? Seja o que for, apenas sei que assim o é.

Um túnel me leva daquela vida, mas não posso dizer para onde vou. Deixo algo para trás. Talvez essa incompletude do existir pelo meio seja a verdadeira vontade que deveria ter. Mas apenas a plenitude me chama, para um abismo desolador, feito do mais puro e completo nada. Sofro outra vez as intemperes de não ser mais o que poderia ter sido, apenas a vaga impressão deixada ao esquecimento.

Desisto-me. Canso-me. Apago-me. E não serei nada daquilo que poderia ser. Eu não vou permitir. Apenas pretendo rir da cara do vazio que me engole. Não me engana, tolo nada. Eu me engano para cair em suas presas. Triturado pela mais pura e completa inexistência, apenas e tão somente me jogo como um esquecido. Não se lembrará de mim. Não importa. Eis que me elevo cheio de auto-ilusões, apenas para vê-las despedaçadas. A ausência, a única coisa que me resta. O desespero não me machuca mais.

Anúncios