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Não quero dias
Com horas e segundos
Conto o meu tempo
No ritmo do coração
Marco minha vida
Em minhas respirações

Silêncio

Agora ou sempre, me recuso
A viver a mercê de um relógio
A cada ciclo, esqueço
Não sou apenas um ponteiro
Vagando premeditadamente

Inspiro

Parar o relógio não é o bastante
Ponteiros parados
ainda poderão estar certos
duas vezes ao dia
Quero ser errado
Não me dê razão
Não diga onde devo girar

Quebro

Dizer que sou louco
pois só os loucos
podem ser livres
desse enfado tique taque das engrenagens
Eu me deixo levar
Guio-me pelo horário do sol e da lua
E nada mais

Expiro

Eu nego as doze badaladas
Eu nego a passagem incessante do tempo
Eu nego o mesmo movimento
Eu nego, eu paro, eu volto, eu vou devagar
Vou como quero

Pulso

Eu não vou seguir
Meu coração não bate no compasso
E há muito mais
do que essas vinte e quatro horas

Vazio

Não precisa me esperar
Vou me atrasar e adiantar e fugir sem voltar
Caminhando nos ângulos e esquivando de linhas
Não sigo reto

Outra vez

Vocês, que rumam sempre para o fim
Marchando em uníssono no soar das horas
Vocês, sim, vocês

Louco

Têm inveja de mim
E de meu sorriso
E de minha derrota

Silêncio

E é muito mais do que imaginaram
Mas nunca do que desejaram

Tique

Vão, sigam em seus passos tão marcados
Eu rodopio e pulo e paro
E não me importo de lhes zombar
E de saber e ter e ser
Tudo o que não admitem querer

Taque.

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