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02 de Dezembro de 2010 / 15 de junho de 2015

Algumas vezes, não se trata mais de quem está certo ou errado.

Não que isso deixe de ter sua importância, apenas se torna secundário.
Faz muito tempo que não escrevo aqui. Aconteceu tanta coisa, que fica complicado dizer tudo. Acho também que, no final, não faz muita diferença contar as coisas concretas. Aqueles que as conhecem, ao ler entenderão. Aqueles que delas desconhecem, compreenderão melhor enquanto me mantiver no abstrato.

Eu acredito em destino. Verdade mesmo, acho que algumas coisas, bem poucas delas, eram para ser. O destino, para mim, não é algo que está toda hora observando e acontecendo. Encontrar-se com o seu destino é encontrar algo frágil. É uma gota de chuva no deserto, e não no mar, como a maioria daqueles que acreditam em destino acham que ele é. Não, o destino é algo raro, um evento único. E ele pode ser bom ou ruim. Mas em comum, acho que os encontros com o destino são as melhores oportunidades para se aprender algo. Talvez mais, acho que eles são as grandes oportunidades para se aprender algo.

Por isso, às vezes sinto que meu destino se repete. Passo por situações idênticas de tempos em tempos. Talvez sejam segundas chances de se aprender alguma coisa. Os apenas você estar preso no seu destino.

Bem, estou passando por coisas que passei aos 10, 15, 18, 24 e agora 29 anos. Em cada uma dessas, eu agi diferente, pensando ter aprendido algo com o passado. Eu realmente aprendi, mas pelo visto não o suficiente, pois continuo passando por isso…

Esses ciclos são culpa minha, é claro. Não, eles não vieram do nada. Ao contrário, eu os vi vindo. Eu sabia o que ia acontecer. Mas não agi diferente. Eu quero que dê certo, do jeito que eu queria que fosse, mas infelizmente, não é assim. O que eu quero, acho que não existe. E por mais que tente criar, forçar ou me convencer, no final, só resta um vazio e uma indiferença.

Eu tenho categorias bem definidas em relação às pessoas. E como eu as coloco em minha vida e o espaço que dou para elas. E eu aguento muito porrada das pessoas que considero. Eu relevo e perdoo muita coisa, muito mais do que a maioria acha saudável. Eu acredito que amizade, namoro, qualquer relação se baseia em três pontos: Aquilo que os aproxima, ou seja, as coisas que fazem com que vocês estejam juntos; Aquilo que os afasta, ou seja, as coisas que você vê no outro que discorda; e aquilo que os separa, ou seja, aquilo que simplesmente não dá mais pra aguentar.

O que aproxima é o que vale a pena e pelo que você fica feliz em ter aquele alguém na sua vida. Isso são os pontos em comum, seja um sorriso no momento certo, um gosto em comum, uma lembrança que os marcou. São as coisas importantes e que vocês estão de boa.

O que afasta é, no entanto, o ponto mais importante de uma relação qualquer. Porque esses são os pontos de concessão mútua, aquilo que você está disposto a ceder. O que se releva, o que se permite. São os pontos negociáveis. Esse balanço acontece naturalmente na maioria dos casos, e algumas vezes, em relações amorosas especialmente, serão conversados. E é aqui que se mostra a verdadeira natureza de uma relação. O quanto você está disposto a ceder? O quanto você está disposto a compreender o outro e aceitá-lo a despeito disso, apesar disso, ou até mesmo por conta disso. São as diferenças, e não as semelhanças que determinam uma relação.

E entra-se, portanto, no que separa as pessoas. Algo que você não está disposto a ceder. Um traço de personalidade, um gosto, uma ideologia. O balanço se dá justamente entre aquilo que é inegociável para um e negociável para outro. Para qualquer relação dar certo, não pode haver pontos inegociáveis conflitantes.

Digo, para que ela continue dando certo. Às vezes nossas prioridades mudam, nós mudamos e o que era uma semelhança, ou mesmo um ponto negociável, deixa de o ser. E vamos encarar, chegando nisso, não dá mais e aquilo se quebra.

O original desse texto foi escrito em 02 de dezembro de 2010. Hoje, quatro anos e meio depois, eu o revisito e vejo o mesmo ciclo pelo qual já passei antes. O destino ainda não me ensinou bem, eu imagino.

Eu tive uma quebra dessas em 2010. Um ponto que percebi, enfim, que era inegociável para mim. E sei que para pessoa também o era. Eu não mudei, e não quero mudanças dela também. E com isso, algo se quebrou, uma imagem deixou de existir e virou cacos. E mesmo que tentasse remendar, não dá mais. E não seria a mesma coisa. Nessas horas, só me resta jogar no lixo.

Eu demoro a quebrar. Juro, aguento muita coisa por várias pessoas, as vezes até deixar de ser plenamente quem sou. Mas existem pontos meus que não se deve bater. E nisso, eu sou irascível. E quando esses pontos são tocados, eu não fico puto. Eu apenas canso e desisto. E aquela pessoa simplesmente deixa de ser importante para mim.

Bem, eu julguei ter acabado 3 amizades naquele ano. Não que elas tenham deixado de existir com o tempo, mas tiveram, de fato, um fim. Eu já tive muitos amigos que passaram, mas foi inusitado e diferente eu ter amizades que realmente acabaram. Dessas três amizades, uma eu voltei atrás, uma se tornou uma nova amizade com a mesma pessoa e a terceira eu realmente cortei da minha vida.

Não que eu tenha parado de falar com essas pessoas. Não vou causar esse constrangimento aos meus outros amigos. Odeio envolver outros em problemas meus e achava ridículo causar uma separação no seu grupo social assim, a não ser que seja uma exclusão total do outro. Coisa que já fiz, mas nunca gostei da pessoa… Não, é diferente porque esses significaram algo para mim. E agora, apenas não significam mais nada, por melhor que eu as trate daqui em diante.

No entanto, relendo o que escrevi, vejo o quanto fui egoísta. As pessoas que amo aguentam muito de mim. Mais do que eu acho que algumas delas deveriam suportar, e deixam de ser plenamente elas mesmas para poderem ser algo comigo. Era algo que eu não entendia, e entendo hoje. Ser plenamente si mesmo é superestimado, ou talvez só dê para se ser plenamente em comunhão.

O destino é sempre um encontro. E nem sempre um encontro é um destino. O importante, portanto, não é saber se é um destino ou não, mas aprendermos algo com ele ou com o acaso. Não faz diferença afinal.

Mantenho o que falei de relações. Mas é importante estar também disposto a perdoar.

Pois é, eu disse em 2010 que eu demoro a quebrar, mas só quebro uma vez. É uma mentira. Quebro muitas vezes, quantas forem necessárias. E hoje vejo que isso não é realmente um problema.

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