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Não poderá me dizer. Infelizmente, não poderá me dizer nada.

Quis ansiar por uma palavra. Apenas isso teria me bastado, e poderia ter sido… Não era para ser assim, diriam. Mas eram. As coisas são o que elas são porque só poderiam – dentre a grande complexidade das variáveis dos acontecimentos em todo o cosmo – só poderiam ter sido assim. Se, em todas as possibilidades possíveis, esta foi a que aconteceu, seria fatalista pensar que é a única que esse momento nos poderia dar? Não, não seria. Tivemos todas as escolhas possíveis, cerceadas por todas as outras escolhas possíveis que só permitiriam que se tomasse essa única escolha. Somos fracos perante o todo.

Não posso culpa-lo. Não havia outra escolha que sua história, cruzando com minha história, seria possível. Por isso não poderá me dizer. Absolutamente nada. Eis que estamos aqui, frente um ao outro, metaforicamente falando, eu creio. Não é possível que seja – de fato – que eu esteja lhe dizendo isso.

Quantas vezes quis ansiar. Mas não me permito.

Sei a verdade íntima da ausência, e não estarei frente a frente. Por isso, apenas o que posso fazer é jogar minha palavra em um pedaço de sins e nãos, para que ela possa estar – metaforicamente, preciso reafirmar – possa estar diante de você. Entre todas as combinações possíveis do universo, entre todos os quarks viajantes e supernovas e suas influências astrológicas, você não poderá deixar de escolher. Haverá de me ouvir.

Era tudo o que eu queria saber. Não o porquê, seus atos prescindem de justificação. Eu só queria saber o que você teria me dito, se eu não tivesse virado as costas e me recusado a ouvir uma vez mais. Eu tive todas as escolhas possíveis, e por isso mesmo, deixar para trás foi a única que pude ter.

Não posso culpa-lo. Foram nossas histórias que se separaram. Não havia o que fazer. Você quis falar, eu não quis ouvir. E agora quero, mais que tudo, desesperadamente – em todo o clamor de um advérbio – a única coisa que não poderei ter. Quero sua palavra. Mas não me permito. Somos o que somos, fizemos o que fizemos. E se eu pudesse culpá-lo… mas isso pesaria sobre mim.

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