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Apenas uma vez.

Entro em sua alcova.
Ao meus pés,
sibilares de mil cobras que não vejo.
Elas não me dizem nada
apenas cantam sua tristeza
e me alertam do perigo que já conheço

Armo meu escudo
nele dançam imagens distorcidas
de chamas bruxuleantes
Aproximo-me cauteloso
Acredito-me pronto.

Chego em seu leito
Vejo-a tão entregue
o pesar da existência sozinha
de uma maldição brutal
No reflexo de minha proteção
que ergui contra você
Nossos olhares se encontram
E nesse abismo profundo
Eu me jogo desesperado

Apenas uma vez.

Preciso saber mais
é maior do que eu
Deixo cair a espada
Ela não tem mais sentido.
Jogo fora o escudo.
Não precisarei mais dele.
Ainda com olhos cerrados
debruço-me em sua cama
Mil mordidas cobrem meu rosto
E antes de beijá-la
Abro meus olhos.

Lágrimas correm de seu rio profundo
Meu nome morre em seus lábios,
“Perseu…” você diz, lamentando.
Eu sorrio, e estendo a mão.
O rigor da morte toma meus músculos.
Jamais a alcançarei.
Esforço-me para tocá-la,
e o horror de não conseguir toma meu coração.
Em um último esforço,
cercado pelas serpentes que lhe adornam
eu noto, feliz.

Minha carne vira pedra,
meu coração pulsa em dor uma última vez
Morro a um instante de lhe sentir.

Foi apenas uma vez.

Após meu último alento,
Esperando para atravessar o Estige.
Quando o barqueiro me cobrar
as moedas que lhe são de direito.
Ao menos eu poderei dizer,
“Era negro… Aquele olhar.”

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