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– Let`s do the time warp again!

Foi no quinto episódio da segunda temporada de Glee – não me condenem – que conheci “Rocky Horror Picture Show”. Em seguida, eu e meus amigos fomos atrás do filme e o vimos várias e várias vezes. Tenho quase certeza que é o segundo filme que mais vi na minha vida (perde apenas para Anjos Rebeldes, claro).

“Rocky Horror Picture Show” é uma comédia musical de terror, baseada na peça de mesmo nome. A peça estreou em 1973 e o filme, em 1975. Conta a história de um casal de noivos absolutamente normal que, por uma sucessão de eventos, passará a noite mais insana de suas vidas.

“Rocky Horror” me conquistou em muitos sentidos. Primeiro, por brincar com clichês ao contar uma história absurda, porém coerente e com sentido dentro daquele universo proposto. Considero que subverter um clichê é um dos desafios mais complexos às pessoas que escrevem, sejam livros ou roteiros, pois é algo que apenas ficará bom se feito com maestria. Nisso, o roteiro do filme é muito bem sucedido ao unir, entrelaçar e subverter não apenas um, mas diversos clichês das histórias de terror, e com isso transportar o telespectador para aquele cenário. O roteiro aposta também no nonsense e na sexualidade extrapolada em fetichismos quase cômicos para conseguir alcançar a suspensão de descrença, feito que foi cumprido com louvor.

O filme é também uma crítica acirrada aos padrões sociais vigentes da época e, inclusive, aos de hoje. Em seu lançamento, foi proibido em alguns países como a África do Sul, por atentar contra a “moral e os bons costumes”. “Rocky Horror” rompe com a moralidade hipócrita, ao apresentar sensualizações e sensualidades de identidade sexual e de gênero que tanto desafiam quanto não conseguem ser enquadradas nos rótulos que perpetuamos em nossa sociedade. É um filme irônico, inteligente, engraçado, ácido e contraventor. E o melhor, que surpreende a cada cena.

Tendo em seu elenco atores extremamente competentes – cito Tim Curry e Susan Sarandon, que estão incríveis em seus papéis – “Rocky Horror Picture Show” conta com atuações convincentes. Atuar em um filme como esse deve ser uma tarefa muito complexa, afinal, não se trata de um roteiro ordinário e meramente linear. As personagens são muito bem construídas, com profundidade e nuances muito interessantes, ao se levar em conta que representam também clichês subvertidos. É surpreendente como os atores e atrizes empenham-se nas interpretações, sendo possível sentir cada fala, cada gesto e cada música.

E chegamos nas músicas… “Rocky Horror” é um musical. E desafio você a dizer com 100% de absoluta certeza qual sua música favorita. Na primeira vez em que o assisti, quando pensava que não conseguiriam superar uma determinada música, logo em seguida vinha outra mais engraçada, mais ácida, mais nonsense, mais inteligente ou mais icônica. Durante as semanas seguintes, muitas delas foram parar no meu mp3 player, mais especificamente na lista de corrida. Fico às vezes imaginando o que pensavam as pessoas que cruzavam comigo quando eu, ainda correndo, fazia a mesma caminhada poderosa de Dr. Frank N Furter e cantava alto “I`m just a sweet transvestite, from Transexual, Transylvania”. Bem, para ser sincero, como nesses momentos estava totalmente imbuído no espírito do filme, só não me importava. Uma curiosidade sobre as músicas é que elas foram escritas e musicadas por Richard O’Brien, que também se apresenta no filme no papel de Riff-Raff, o mordomo (mais uma interpretação genial).

Outra curiosidade é que o filme é até hoje exibido em sessões da meia noite em diversos cinemas, especialmente Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. Há uma tradição de interação do público. São respostas e gestos já consagrados a algumas cenas, além de também jogar água, pipoca e outras coisas. Parece-me uma experiência muito legal estar nessas sessões. Tenho muita vontade de qualquer dia fazê-lo. Além disso, “The Rocky Horrror Picture Show” detém o recorde de filme em mais longa exibição. Desde sua estréia em 1975, é exibido à meia noite em um mesmo cinema de Munique.

Minha grande crítica a esse filme, na verdade, diz respeito a mim mesmo. Arrependo-me por todas as milhares de referências na cultura pop que perdi por não conhecê-lo antes.

Enfim, se ainda não viu, está esperando o quê? Veja e diga o que achou!

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