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Foto tirada na Torre de TV – DF

Eu não sei muito bem como amar… Quis amores prontos. Arquétipos encaixáveis dentro de pré-concepções. Amores indulgentes e romanceados. Amores fabricados e plásticos. Mas da interposição entre subjetividades, ou do encontro entre corações – vai da preferência de cada um – não há teoria ou crença que me responda à mais simples das perguntas.

Uma verdade: não há como falar do amor sem ser tolo. Todo o amor é um senso comum. A qualquer um que se pergunte, há uma resposta óbvia e fácil, mas que engasga: “O amor é…” E as reticências pairam, presas na ponta da língua. Tentei explicar o amor e falhei terrivelmente. Tentei dizer que o conhecia e falhei ainda mais. Tentei amá-lo.

Olhei para você…

Eu nunca escolhi amar. Incidentalmente aconteceu, acumulando-se amores sobre amores, cada um deles repensando-se, desconstruindo-se e comparando-se, temendo serem menos amados e mais esquecidos. São – todos os amores – apenas tolos que não entendem aquilo que realmente lhes dá existência. E como poderiam? Digo a cada um deles, dizendo a mim mesmo: não amei certo ou errado, se quer saber minha opinião. E, indignados, meus parcos amores evocam as presenças que se fizeram em mim. Meus amores: minhas teorias e crenças sobre aquele que tocou minha subjetividade e meu coração. O Outro, este personagem transigente nessa história de tantos amores. Existiria a possibilidade de amar apenas a si mesmo? Se o amor-próprio for uma mentira, se o amor for um ato de contato… Amei, fato. Logo, inefável.

Digo que nenhum amor valeu nada se todos os amores valem tudo nessa vida. Aprendi neles coisas intangíveis e inauditas. Neles, vivi de paradoxos e contraditórios. Se nenhum amor é igual ao outro, também não são diferentes. E o que venham a ser, mudaram-me. Deixaram-me marcas, e também algo dele – do Outro, retornando triunfante. Se amar é algo, tomo todo o cuidado para que, no toque do Outro, eu descubra seu significado. E se o amor está com o Outro, então a ele resta um pedido, mudo e contido.

Mas… Se você me deixar amar… Todos os dias serão dias e todas as noites serão noites – e apenas isso serão. Se você me deixar amar… Quantas estrelas contarei e as constelações que criarei. Se você me deixar amar… Os risos bobos que darei, as palavras inúteis que direi, as letras bestas que escreverei. Se você me deixar amar… Todos os clichês que escondo serão seus, em rimas pobres e pequenas estrofes de quinta categoria.

Ah, mas se você me deixar amar… Então que eu não seja todos esses amores prontos, indulgentes e plásticos. Que eu me esqueça de estrelas, risos e clichês. Em apenas um ato, um contato, que você – meu Outro – não me deixe ser tolo: Não falemos de amor.

Quero crer que não soube muito bem como amar. E como saberia? (ainda não sei como é amar você)

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